quinta-feira, 31 de maio de 2007

O Futuro que é Presente e foi Passado


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A importância da descodificação do genoma humano (www.ornl.gov/hgmis) na área do medicamento:
Tal como tem acontecido em grandes descobertas cientificas, a descoberta de um caminho trás mais perguntas do que certezas. No entanto podemos tirar algumas conclusões e alguns (muitos benefícios) da evolução, bem como explicar alguns fenómenos cuja explicação era genérica mas que agora podemos concretizar.

Conclusões:
O tamanho de genoma não se correlaciona com o número de genes (as razões para o tamanho do genoma e nº de genes não são conhecidas, mas por exemplo no sapo o genoma é menor do que o humano mas expressa um maior numero de genes). O que sabemos é que existem inúmeras sequências repetidas no genoma humano. O número de genes é muito inferior ao esperado.
Sabemos que somos muito mais iguais do que imaginávamos, isto é, somos idênticos uns aos outros em 99,99% em termos de ADN.
Sabemos que um gene codifica várias proteínas e que é importante a sua “ vizinhança genómica” no desempenho das suas funções.
Sabemos que existem o dobro das mutações nos homens relativamente ás mulheres.
Sabemos ainda que as mutações pontuais ou polimorfismos num único nucleótido (SNPs), mutação no código genético que ocorre em mais de 1% da população, são responsáveis por cerca de 90% da variabilidade individual, que faz com que:

Haja variabilidade na resposta a fármacos

Haja diferentes susceptibilidades a tóxicos

Haja patologias complexas

O que já sabemos permite-nos fazer um diagnóstico mais eficiente de algumas patologias, a detecção precoce da predisposição para a doença, e o design racional de novos fármacos baseados nos genes (farmacogenómica).

A Farmacogenómica estuda a contribuição da variabilidade em múltiplos genes (ou em todo o genoma) na variabilidade de resposta aos fármacos.

Os polimorfimos genéticos levam a alterações na farmacocinética e fármacodinâmica responsáveis por alterações na resposta aos fármacos (maior ou menor toxicidade, maior ou menor efeito terapêutico, etc.).
Ou seja o futuro que é já presente vai permitir que a terapêutica seja o mais personalizada possível em função do genótipo do doente, procurando desta forma optimizar o efeito terapêutico, reduzindo os efeitos adversos, aumentar a eficácia reduzindo os custos. Estes benefícios são já presente em algumas patologias (cancro) em que o diagnóstico diferencial genético (Microarray- chip ADN), permite o tratamento diferencial entre indivíduos doentes, sendo prescrito determinado tratamento apenas e só aqueles cujos tumores sobreexpressem o receptor para o factor de crescimento epidermal (HER2), (25-30% dos pacientes).

Este novo caminho, como todos os novos caminhos terá que ultrapassar muitos obstáculos, tanto de carácter científico-económico, como ético. Implicará o uso de “guidelines” de prescrição, formação dos técnicos de saúde, maior informação para o doente, maior alerta para as interacções medicamentosas, regulamentação, comparticipação, racionalização de custos, farmacovigilância.

Mas o Futuro é sempre uma porta aberta para novos mundos….

(resumo de uma palestra dada por Prof. Dr. Sérgio Simões da F. Farmácia da U. Coimbra sobre as realidades e perspectivas da terapêutica genética nas actividades relacionadas com o medicamento – ssimoes@ci.uc.pt)

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Balcão


Anos noventa, licenciatura fresca, com muita teoria e pouca prática, cabeça cheia de nomes de princípios activos, e sem registo de nomes comerciais, chego ao balcão da Farmácia. Entra um cliente jovem, aproxima-se do balcão e diz-me:

_ Bom dia, queria uma caixa de fósforos.

Retorqui:

_ Bem ... diz o ditado que há de tudo como na Farmácia, mas caixa de fósforos vai ter que ir ao supermercado!!

Deparo-me com uma cara tingida de vermelho.

-Bem, o que eu queria é um pacote de camisinhas de” Vénus”.

Lá o atendi. Venho para dentro e viro-me para a Guida contando-lhe o sucedido.
Resposta:

- Sabe, é que antigamente havia uns preservativos embalados numas caixas em tudo semelhantes ás caixas de fósforos, por isso é habitual haver estes pedidos…


História real, meados 1990.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

INTERACÇÕES


“Chá das 5”

Que existem interacções entre vários medicamentos, não é novidade para ninguém, já faz parte do censo comum. Só que ás vezes as pessoas esquecem-se das interacções que podem existir entre os medicamentos e as plantas. Uma simples infusão pode arrastar uma complicação….

"…a co-administração de Hipericão e anticoncepcionais (chá de hipericão, também conhecido como erva S.João), por um mecanismo ainda desconhecido, mas que pode envolver a redução da absorção, bem como acelaração da “clearence” das hormonas, devido á indução da glicoproteina-P intestinal (glicoproteína de transporte), e a metabolização pelo citocromo CYP450 3A4 (intestinal/hépatico), por constituintes do hipericão diminui a sua eficácia. Os pacientes devem ser advertidos para a possibilidade de atrasos menstruais e gravidez não desejada. Pelo que o uso de contracepção adicional é recomendado.
Foram reportados alguns casos de atrasos menstruais, após adição de hipericão em pacientes usando anticoncepcionais a longo prazo. Um caso de gravidez não desejada foi reportado. Estudos clínicos em voluntárias do sexo feminino também demonstraram um aumento da incidência de atrasos menstruais durante a administração concomitante de anticoncepcionais de baixa dosagem e o hipericão."
Evite complicações. Pergunte ao seu farmacêutico .

sábado, 26 de maio de 2007

Alquímias



Velhas Receitas ou Receitas Velhas

Poção Bourget
Bicarbonato de soda ……8g
Phosphato de soda………4g
Sulfato de soda……………2g
Agua destilada…………….1L

( para o estômago)

“ver soluções no Jornal dos Médicos e Pharmaceuticos, vol 16 pag 190, 1915”

(Não usar. Não indicar.)

sexta-feira, 25 de maio de 2007

DOENÇAS CARDIOVASCULARES

PRINCIPAIS FACTORES DE RISCO NAS DOENÇAS CARDIOVASCULARES


As doenças cardiovasculares (acidente vascular cerebral AVC; doença coronária - DC; ou doença isquémica do coração DIC), são as principais causas de mortalidade em Portugal, bem como em muitos países ocidentais.
Embora existam vários factores que contribuem para este panorama, muitos deles resultam do estilo de vida característico dos países industrializados.

A campanha realizada nas farmácias de 14 a 19 de Maio visa chamar atenção da população sobre riscos da manutenção de estilos de vida erráticos, bem como aconselhar a uma participação mais activa e informada na gestão da sua saúde.


Mantenha-se activo, faça uma alimentação saudável, controle os seus factores de risco, mantendo-os dentro dos valores de referência estabelecidos pelas diferentes organizações mundiais da saúde, já que não pode controlar a sua genética. Ajude-nos a ajuda-lo.